sábado, 11 de abril de 2026

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Quem dirá onde encontraremos alguém que se faça especial? O que nos torna especial para alguém? Nos acostumamos à definições sobre tudo. O uso da "comunicação" rápida incorporou a idéia de listas e mais listas, que se proliferam no cotidiano dos moradores de Babel. Amor? Só com reciprocidade, independente do que esteja sendo entendido por cada uma dessas palavras; Amigo? Se nos escuta. Não importando o quanto de serviço a que você próprio se submeta para o seu pequeno mundo. Não pode haver maior vazio que conceituar sentimentos quando sequer nos oportunizamos sentir. Em um mundo pautado na pressa, a palavra segue tentando apreender e isolar o singular em caixas pequenas e previamente construídas. 

Pra mim você surgiu na sala melancólica do Twitter ( do verdadeiro, não esse tal de "X"). De tão cru e real, o Twitter tinha uma sociabilidade pouco higiênica, mas muito saudável! Não tínhamos rosto, nem nome, apenas avatares e username, mas era uma sala onde sentimentos não faltavam, onde definições estavam abertas, nunca fechadas. Sentimentos genuínos! Em toda sua beleza e, por vezes, desconforto. 

Numa madrugada qualquer começamos a conversar por DM. Você falava tanto, que eu mal conseguia acompanhar. Mas era tão intensamente verdadeiro, que me interessava ficar. E assim seguimos, ano após ano, transitando de rede em rede, nos embalando e aos nossos sentimentos. De aplicativo em aplicativo, nos preenchendo em sentidos. Era tão verdadeiro nosso envolvimento, que não escapávamos às discussões, às discordâncias, a uns bloqueios e silêncios... Mas logo ( ou nem tão logo...) voltávamos a nos acompanhar, a nos ComViver. Tudo era mais fácil sabendo que você estava aí. "Bom saber que você está sempre por perto", você me falava. 

Desde a notícia da sua partida já transitei por vários sentimentos no meu coração. Minha capacidade de resistência não esperava jamais sofrer esse abalo. Eu resistia em me deixar abater por suas fúrias, porque sempre as sentia como gritos de socorro sobre a solidão que você se impunha, mas que por vezes te deixava sem ar. Quando me sentia mais próxima, surgia um novo obstáculo - ou o mesmo de sempre , que você não parecia conseguir controlar.  Fomos consolidando assim nossa convivência cotidiana nesses nove anos de conversas e bloqueios... rs 
Você parecia resistir ao meu amor, tentava me manter longe no começo, mas nunca foi páreo pra minha obstinação taurina e essência venusiana... Quanto mais você se enterrava, mais eu cavava pra te encontrar. Nas pequenas sutilezas demonstrava acolher minha dedicação que, sempre percebi, te nutria em alguma medida.

domingo, 5 de abril de 2026

Às vezes me sinto como o que os espíritas chamam de "médium". Atraio a atenção de almas perdidas no escuro.

Prove do seu veneno

Um sentimento de "prove do seu veneno" se aproxima. Quando passamos a um grau de consciência mais lúcido, começamos um movimento interessante de perceber em tempo real as nossas faltas e projeções. Uma coisa mais ou menos como cair em câmera lenta, se observando no ato. É algo novo se perceber tão nitidamente e se oportunizar a não ação. Ao " Calma. O que está acontecendo aqui?"
E ficar numas de quase cessar a respiração pra não quebrar mais nada, não se externar de mais nenhuma maneira, ao menos não naquele momento! 
Rotineiramente somos engolidos e engolimos o tempo com atos que não necessariamente são o que parecem, mas dão notícias de outras coisas. Que coisas? 
Acolher-se, em silêncio, pra acessar um pouco mais. Quase quando acordamos de um sonho. É! É isso mesmo! Quando despertamos durante um episódio onírico somos tanto mais capazes em acessá-lo quanto conseguirmos ficar imóveis, sentindo. Apenas sentindo. 
Provar do próprio veneno é se dar a oportunidade de - sem medo - sorvê-lo, devagar, e dominar a arte de selecionar onde o inoculamos. 

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Quem dirá onde encontraremos alguém que se faça especial? O que nos torna especial para alguém? Nos acostumamos à definições sobre tudo. O u...